


(Palavras proferidas pelo Presidente da SPPCR, aquando da Cerimónia de Abertura do Segundo Congresso de Proteção Contra Radiações dos Países e Comunidades de Língua Oficial Portuguesa)
Alguém da Sociedade Portuguesa de Proteção Contra Radiações ao falar em Proteção Contra Radiações, no Espaço Lusíada, e muito especialmente no Brasil, necessariamente que evoca os Sócios, e concretamente os Brasileiros, e em particular os Honorários.
Assim é lógico afirmar-se que é chegado o momento de se relembrar aqui no grande e promitente Brasil, o nosso querido consócio José Júlio Rozental, que homenageámos oportunamente e a quem dedicámos espaço relevante na nossa revista, que carinhosamente era também a sua revista.

Rozental foi um dos mais ativos sócios da Sociedade Portuguesa de Proteção Contra Radiações, tendo e nutrindo um certo enlevo para com “ RADIOPROTEÇÃO”. Figura de singular simpatia em que o conhecimento científico de elevado gabarito ombreava com a sua incomensurável grandeza de alma.
Mantínhamos, ele e eu um contacto regular que muito saudosamente recordo e que a Comunidade dos Povos de Língua Portuguesa jamais o poderá esquecer, dado o seu grande legado.
Ainda que a Comunidade Científica Brasileira na sua totalidade seja de elevado nível transversal a todas as áreas do conhecimento, de reconhecido mérito a nível internacional, ocupar-nos-emos um pouco do cientista brasileiro, César Lattes que foi indubitavelmente um dos maiores cientistas do Mundo.

Nascido em Curitiba, em 1924, cedo se mudou para São Paulo ainda muito jovem, vindo a acabar o seu curso, em 1943, na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo. Nesta Universidade, encontrou no professor Gleb Wataghin, a orientação adequada para se iniciar na ciência. A Lattes interessava-o a física experimental, dedicando-se em particular ao estudo da radiação cósmica, vindo a dar uma contribuição tão notável, quanto importante.
Lattes como é do vosso conhecimento legou uma contribuição ímpar à Ciência sobretudo no que concerne a radiação cósmica como já se aludiu.
Devido à sua tenacidade foi elemento decisivo na criação do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico vindo a ser um Investigador Científico de renome mundial, havendo mesmo até quem se interrogue, porque é que não foi galardoado com o Premio Nobel da Física.
César Lattes constitui pois um marco indelével e insofismável para todos os brasileiros e em especial para os jovens que se interessam pela ciência e muito especialmente pela Física.
De grande envergadura e de alta têmpera científica é a todos os títulos um cientista que a grandeza da memória universal não deixará esmorecer o seu valor. Assim virá a ser uma pedra de elevado quilate na construção do edifício científico da Comunidade dos Países de língua Portuguesa, cujo aparecimento se deseja e que se pretende vir a erguer.
A terminar estas breves mas muito modestas considerações, e desejando não vos incomodar, com considerações muito amplas, necessário se me torna todavia evocar o “obreiro” do Luso-Tropicalismo.
Gilberto Freire nasceu nesta cidade do Recife no dia 15 de março de 1900 vindo nela a falecer a 18 de Julho de 1987
Há uma característica que, de certo modo, nos permite compreender as incontestáveis dificuldades por nós sentidas e por ele havidas ao ir-se ao encontro da expressão diferencial das sociedades que se desejam estudar, como é o caso da Sociedade Luso Tropical.
A Cultura Portuguesa e as que dela derivaram ou que com elas se ligam, em contactos humanos prolongados ou significativos foram no meu muito modesto ponto de vista, eminentemente humanas, como se irá reconhecendo ainda que aqui e acolá esteja salpicada de factos e episódios não recomendáveis e não desejáveis que perante a história teremos que assumir. Gilberto Freire e a sua obra é duma grande relevância e evidencia que não se pode fazer uma investigação sócia antropológica adequada, sem se proceder a uma pesquisa metódica como característica do método científico que só progride se a uma hipótese se seguir uma outra, pensada para compensar, ou suprimir, a anterior, num processo científico dignificante.

Graças ao sociólogo Gilberto Freire, a História do Brasil deixou de poder ser escrita nos mesmos moldes e na mesma problemática como o era antigamente. Será o reconhecimento dos erros anteriores? Nunca ninguém o disse e menos faria Gilberto Freire, desejoso do acerto das diferentes perspectivas possíveis de terem validade . O que ele procurava era mudar o ângulo de visão fortalecendo a perspectiva científica. Do mesmo modo, no que se refere à história da sociedade portuguesa, ao ler-se Gilberto Freire perdem alcance as exautorações, louvores ou diatribes, feitos, segundo padrões que nada têm a ver com os componentes reais que têm interferido, de modo mais particular, na sociedade portuguesa. Não se julga que foi literariamente, que o luso-tropicalismo surgiu no espírito de Gilberto Freire, a sua proposta assenta numa segura genealogia científica. Dirige-se e provém de um amplo debate, integrado numa exigência crítica que deliberadamente ultrapassa todos os sistemas. Não o faz porque os ignora, mas porque entende que a realidade social vai muito além do que qualquer sistema pode esclarecer. O espírito generalizador e a capacidade literária e alusiva de Gilberto Freire são, na realidade, notabilíssimos. No entanto, não deixa também de haver e prioritariamente, uma exigente mas desejável problemática científica.
A todos os Países que integram ou virão integrar a Comunidade de Língua Oficial Portuguesa, ao expressar os meus agradecimentos sinceros pela organização deste evento científico, e iniciativa tida, desejo e reformulo votos para que se observe um desenvolvimento adequado relativamente à proteção contra radiações, em todos os Países desta Comunidade irmanada por uma Cultura multisecular, em que o próximo é elemento estruturante dum edifício sociocultural dignificante que não discrimina os seus elementos, antes os aglutina, expressando a ideia de que seria adequado pensar-se que cada país da CPLP inicie, se ainda não o fez, o processo de formação de uma sociedade científica de proteção contra radiações.
Para A SBPR vão as minhas expressões amigáveis, e um abraço fraterno da SPPCR pela organização inestimável e pela justeza posta na organização do evento Rádio 2011.
Bem hajam pois!
João Quintela de Brito, Presidente da SPPCR
Tipo de letra utilizado:Calligraph421 BT


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