O ORFEÃO ACADÉMICO DE COIMBRA

Por: João Quintela de Brito

 

Em 1880, João Arroio, jovem estudante de direito, consegue no "sábio equilíbrio"entre o estudo e o lúdico fundar o primeiro Orfeão Português. O orfeão Académico da Magna Universidade…
Coimbra incrédula não admitia que o seu esforço fosse avante mas o jovem Arroio entrega a António Joyce a regência do Orfeão, ao qual vem a suceder o Cónego Dr. Elias de Aguiar cuja figura vive e perdura na memória de todos os estudantes de Coimbra. Impossibilitado Elias de Aguiar por doença deixa que o jovem Raposo Marques no qual as predilecções artísticas e o gosto inato pela música dos seus antecessores encontre o acolhimento de Mestre, toma conta do Orfeão, o seu Orfeão… Organismo altruísta por excelência o Orfeão encaminha regra geral a sua actividade para fins beneficentes. Dessa maneira, tem percorrido o Pais para que o seu contributo desinteressado consiga amparar, fomentar ou aumentar os recursos económicos das diferentes instituições de beneficência. No aspecto cultural, caminhando de terra em terra, de cidade em cidade, de País em País, leva a Cultura Lusíada, que através dos seus elementos, os estudantes, a mais nobre Universidade de Portugal lhes envia. Raposo Marques, identificado com o seu Orfeão consegue cativar a plateia parisiense, arrebatando-a, a ponto do diário " Le Petit Parisien " mencionar nas suas colunas uma elogiosa crítica da qual destaco: - … Des chœurs magnifiques chantés par Les étudiants de Coimbra, tantôt avec un ardeur passionné ou se révèle l’âme bruilante du Portugal terminérent cette fête de amitié." Depois da França foi a Espanha, que revia e voltava a escutar o: Orfeão Universitário de Coimbra. Os moços da capa preta, que para alguns são objecto má língua, ou por escassez de contacto com o real, foram a Embaixada que a Mãe Pátria enviou a terras de S. Tomé, Angola e Moçambique, num abraço de Materno e sublime amparo. Em Cape Town, quando da sua passagem de Angola para Moçambique o público surpreendido pela arte dos estudantes, ao interpretar as diversas obras não deixou de tecer elogios ao domínio dos contrastes de tonalidade, à meticulosa enunciação e à precisão rítmica, que conduzia a uma entoação cuja flexibilidade de uma só voz e clareza excepcional punha em relevo a beleza harmónica de qualquer obra.
Açores e Madeira, não foram menos pródigos ao ovacionar a jovem gente da Lusa Atenas.

Onde o êxito mais se acentuou", foi sem duvida alguma cm Casablanca e no Brasil.

Deslocou se o Orfeão em 1954 ao Brasil para participar nas comemorações do IV Centenário da Fundação da Cidade de S. Paulo, servindo de elo entre a Jovem Nação e Portugal numa tentativa par afirmar que a geração actual Portuguesa não esquece nem limita a sua fronteira ao revolto Atlântico...

Fazendo de S. Paulo quartel daí se deslocaram a todas as outras cidades brasileiras, levando o nosso folclore, ao coração de todos os portugueses residentes em terras deVera Cruz.

Em 1956, comemorou o Orfeão Académico de Coimbra festivamente as suas bodas de diamante, juntando-se em Coimbra a homenageá-lo e a reviver bons momentos do passado, aqueles que contribuíram num desinteressado esforço de muitas gerações para que fosse o repositório de tradições e glorias que em nossos dias se orgulha de ser".
Os 78 gloriosos anos do Orfeão. Académico, são atestados pelas mais altas distinções que o nosso Governo, bem como os estrangeiros lhe conferiram.
"CORREIO DE ABRANTES"? 1957