O isolamento e os emigrantes portugueses
O português, votado ao mar, habituado à incerteza da vida, busca no suor do seu labor a possibilidade de uma vida melhor. O milagre de Portugal de hoje e a afirmação. desse amor ao trabalho que postula a existência da nossa. vida. Na articulação melindrosa da maquina governativa, não devermos deixar cansar em demasia quem a cuida, quem a comanda, antes devemos com a nossa ajuda, ainda que pequena, proporcionar uma melhor valorização do seu trabalho. Na marcha da vida portuguesa, procuremos aqueles portugueses valorosos que obrigados a abandonar o Solo Pátrio vivem trabalhando honradamente, desempenhando os mais variados misteres. Aqui e além, pela grande Franga, encontramos compatriotas, que com alegria genuinamente portuguesa nos acolhem e nos interrogam avidamente... Pois bem, esses núcleos de portugueses dispersos pelo mundo inteiro, constituem um problema muito sério a que as consciências bem informadas não se devem recusar a encarar. Porque? Porque vivendo bem ou mal sob o ponto de vista material vivem contudo num isolamento verdadeira mente deplorável! Isolados da sua língua, isolados da Mãe Pátria, a pouco e pouco são vitimas duma diluição que se bem natural é pouco admissível: tive ocasião de ver e sentir até que ponto o português nalgumas zonas vive isolado, contentando-se com relatos da vida portuguesa mais ou menos impostos pela imprensa estrangeira… Em Nantes, cidade onde existe um número considerável de gente da nossa terra, não é possível encontrar-se sequer um jornal português!... Indaguei no nosso Vice-Consulado notícias do nosso País, mas... jornais não havia, quando seria de esperar que ao, menos se encontrasse o "Diário da Manhã"... Do Vice-Consulado segui para visitar um bom português que é figura de acentuada importância no meio comercial de Nantes. Um sorriso beirão me acolheu. Falámos durante algum tempo: procurou saber de mim notícias do nosso Pais; é evidente que eu só sabia aquilo que me tinha sido possível saber até ao momento de sair de Portugal... Soube por ele que vários portugueses havia, mas que isolados como estão já se não apercebem bem da sua Nacionalidade! Este é um dos muitos problemas que, conhecidos em Lisboa, não devem tardar a ser resolvidos. João Quintela de Brito Nantes, 28 de Julho de 1961. (Nota: aqui o lápis azul foi muito usado…) "Correio de Coimbra" 3-8-1961 |
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