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COMENTARIOS Por João Quintela de Brito
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A imprensa é sem dúvida alguma uma fonte não só de informação como também a origem de pólos, nos mais variados domínios da vida humana. E bem que assim é!
Por via de regra, poderá, dizer-se que um jornal sério é um jornal que para além da sua função de bem esclarecer é também aquele que não desvirtua a orientação que a sua direcção lhe imprime. Isto será, talvez um pouco audacioso para, quem cultive a tibieza, e a dupla presença de se apresentar no mundo, mas não é falso.
Quando se compra este ou aquele jornal, há no gesto uma directriz já, que podendo todos trazer as mesmas notícias, elas terão um certo gosto lido neste ou naquele jornal! E isto não é criticável, muito pelo contrário o leitor tem a liberalidade de escolher o jornal, e até complementarizar o que lhe chama a atenção, saborear o escrito e interpretar quem escreve. É na justeza do escrito, na profundidade do escolhido que por vezes se tiram as mais sérias conclusões sobre esta ou aquela orientação...
E evidente que não há em parte alguma, jornal que não tenha orientação! Poderá a mesma não ser equilibrada no entender de uns, desonesta no pensar de outros, e pouco esclarecida, por outros.
No entanto duma maneira geral os não ingénuos lêem e admiram este ou aquele jornal, sem menosprezarem outros e se "cenas episódicas" vêm a perturbar um jornal, para essas mesmas pessoas, o facto é de pouca monta, e aguardam que o sábio poder acumulado de uns tantos, senão até da maioria de quem lê o possa reconhecer...
Um jornal, a não ser que se dedique a um conjunto pouco numeroso e sem o minimizar, não pode cultivar a dialéctica sem bases, mas antes terá de se impor de facto, pela objectividade ou pelo cabedal de informações que deve, ou pode transmitir.
Assim se justifica a grande família jornalística que nos bem amargos momentos, ou noutros de mar estanhado procuram ou procurarão definir e ajudar a definir, à custa da própria vida, os princípios básicos da dignidade humana. Isto de dignidade humana não é necessário definir, está no respeito, e não são as Faculdades e as Instituições que o devem fazer mas sim o próprio homem que a deve cultivar e fomentar.
Será, o simples tecelão, o amador de fotografia, o técnico do mais sofisticado e delicado ramo do saber, será, o pobre aldeão que moureja nos campos alcançando amargamente o Pão nosso de cada dia, será o operário, será, o estudante, etc. Enfim, serão todos quantos desejarem ser considerados homens...
"Nada afirmeis que não possa provar-se simples e decididamente. Tende o culto do espírito crítico sem o qual tudo é caduco. O que vos peço o mais difícil para um inventor.
Crer que encontrou um facto científico importante e violentar-se dias, semanas, até anos, a arruinar as próprias experiências e só proclamar a descoberta depois de esgotar as hipóteses contrárias, é tarefa árdua.
Mas quando se chega enfim à certeza, sente-se uma das maiores alegrias da alma humana" (Pasteur).
"NOVA ALIANÇA" 4 de Agosto de 1973