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CIVILIZAÇÃO OCIDENTAL Por João Quintela de Brito
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Não é essencial para o homem a adaptação ao ambiente do mesmo modo que sucede com os outros animais mas sim a sua adaptação a uma civilização. O homem ocidental, por exemplo, encontra-se mercê de factores integrantes de índole variada, enquadrado numa civilização dita Civilização Ocidental. Assim, é a sua civilização que o adapta e o faz persistir nesta ou naquela latitude, na terra ou no espaço, à superfície das águas ou nas suas profundezas É a sua Civilização que o ampara e a lança nas mais espectaculares conquistas e descobertas É a civilização o fulcro da comunidade e é para ela que o elemento que a constitui vive. Seria erro atribuir-se a uma civilização uma fronteira e inferir-se que para um lado e para outro começariam civilizações diferentes. A Civilização dita Ocidental, cujo baluarte espiritual se espraia por esta Europa já cansada de se cansar, e muito principalmente debruçada para as águas cálidas dum Mediterrâneo que foi berço de muitas outras civilizações encontra-se a vigorar por todo o mundo. Não é de velha que velha se queixa, mas quiçá de grande! As civilizações e não é facto novo parecem na maior parte das vezes com as guerras. É um fenómeno social fruto de um outro. No entanto é nalguns casos das crises temporárias que resultam como fenómenos reactivos, os momentos mais altos e mais espectaculares das civilizações. Ora não estaremos na actualidade a passar por uma crise dessas que uma vez passada fará revigorar o Ocidente? Temos assistido nos últimos tempos às mais intrigantes conquistas ou afoitezas do homem nos mais variados domínios. Procura-se na ânsia grande e desmedida revigorar o homem dando-lhe o coração dum semelhante... Vai-se à Lua, desce-se às profundezas dos Oceanos... Começa-se a inferir de amostras colhidas as composições do solo lunar... Tudo isto é muito, é grande, é pesado, e perturbante... Destruíram-se mitos, e o homem para além da técnica necessita de mitos, aguarda com inquietação e ainda de forma pouco consciente, a criação de novos mitos, esquecendo-se temporariamente do Essencial que se manterá imutável... É possível que a evolução da técnica e da tecnologia lancem o homem para plataformas donde se venham a vislumbrar horizontes esquecidos. A especialização ou a vocação para o desempenho dum mister, duma profissão, dum sacerdócio, etc., não se pode compadecer de interpretações individuais e carecendo de verdadeiro significado. Se é facto que é mais linguagem de salão dizer-se que cada qual pode escolher livremente a sua profissão, que vai ao encontro da sua vocação, não é menos certo que cada uma das profissões uma vez escolhidas ou determinadas por parâmetros vários para um tão real quanto efectivo desempenho, necessariamente limitam, sem diminuir o homem. Até porque se por necessidades inerentes à sobrevivência o homem não pode dum dia para o outro mudar de profissão, de ofício, etc., o homem deve atender a que a vocação se enquadra num mundo que a permitir vocações é interdependente. O médico deve ser médico. Deve respeitar pondo toda a sua habilidade, naturalmente, no desempenho da sua missão. O médico não desconhece nem pode desconhecer os princípios deontológicos que o regem e mal irá qualquer classe médica que tal permita. (Sirvo-me deste exemplo pois que aproveito a ocasião para render impessoalmente e em tom genérico a homenagem que deve ser tributada a uma classe que não pode ser apodada ao nosso País de não procurar em linhas gerais de corresponder às suas responsabilidades) Com as outras profissões senão até sacerdócios necessariamente que o consenso universal a tal obriga. É óbvio que as profissões não precisam resgatar passados antes precisam aperfeiçoarem-se e assim, e só assim, vão evoluindo. O passado quando for pior que o presente e quando este ainda for pior que o futuro, não deve fazer com que em atitude contemplativa se procure reformar, integralmente estabelecendo-se uma confusão que sendo não só perniciosa poderá ser o prelúdio da destruição. Em todos os casos em que a disciplina se torna necessária, há um reconhecimento global da mesma, e ainda que custe a aceitar, é factor essencial na dinâmica dos povos e das Nações. É evidente que ao falar-se de disciplina não se pretende confundir aquela com a força bruta ou desvirtuar a primeira salvaguardando a segunda. A verdadeira disciplina é um, dos Pressupostos duma vida volitiva caracteriza ampla e profundamente o homem no seu mais aperfeiçoado sentido. O uso da força ou a confusão desta com a verdadeira disciplina é a disciplina do mármore e do granito é a disciplina da morte sobre a vida. É com disciplina que o homem vive na sua vida particular, é a vida diária uma consequência de disciplina imposta, pela definição dum conjunto comunitário com as suas necessidades, suas aspirações, seus anseios, suas limitações … Será no, entanto outro tipo de disciplina aquela que advém duma ocupação militar, duma instituição estropiada, dum governo despótico, etc. Podemos na conversa amena que e ao correr da pena estabelecemos, afirmar que a disciplina é uma característica fundamental da nossa civilização e que no amadurecimento e na evolução do conceito, ela transitou doutras civilizações para a actual. E se estamos em crise, o que na realidade e uma observável, não podemos concluir como já se tem feito, que a crise nos endossará ao final da nossa civilização. Não e essa a nossa opinião. Entendemos exprimir ainda que em tom modesto, que tal como doutras crises, resultará algo de bem positivo. Se o doce remanso imposto par factores considerados constantes permitiu uma estática espiritual que não acompanhou portanto passo a passo as necessidades espirituais da época, não é menos verdade que possibilitou que de futuro e com a noção equilibrada de disciplina se procure melhorar o mundo espiritual, já que o material, ao progredir, mais se parece em comprazer, em escravizar do que a elevar o homem. Albufeira, 18-9-970. Quintela de Brito |
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